Conselho de avó
Toda a tarde quando buscava a sua neta na escola, a vovó Luzia tinha o hábito de levá-la até a beira do rio no caminho de casa onde conversavam sobre diversas coisas e para saber como tinha sido na escola. Era uma forma de interação delas, antes que a filha chegasse do trabalho para levar a pequena para casa.
Quando chegava na beira do rio, a
vovó Luzia forrava um grande lençol, oferecia água para a menina beber e
olhando no fundo dos seus olhos dizia:
- Minha filha, preste atenção ao
que a sua vovó está falando. Quando você estiver triste, se sentindo mal, não
merecedora... Quando você olhar no espelho e duvidar da sua beleza ou de sua
capacidade para fazer qualquer coisa, vá até o rio e sem pressa, lave o seu
rosto.
A menina olhava para a avó e
achava engraçado. Mal sabia que ele estava preparando o seu emocional para o
futuro, como quem cavava fundo para plantar uma grande árvore. Essa cena se
repetiu de segunda a sexta-feira durante 10 anos.
Até que a vovó Luzia faleceu e a neta
ficou bem triste. Ela era apaixonada pela sua avó e seu luto foi bem difícil.
Em sua vida estava acontecendo
muita coisa e ela já não tinha com quem conversar como fazia com a sua avó.
Sabe aquela semana quando a
pessoa não está bem e acontece várias coisas que a deixa ainda pior? Aos 20 anos
por causa de uma injustiça fora dispensada da empresa onde adorava trabalhar, após descobrir a traição do seu noivo. Ela estava se sentindo feia, desinteressante e incapaz.
Desempregada, toda semana tirava
um tempo e ficava na beira do rio lembrando das suas conversas com a avó. O rio
já não era o mesmo, não enchia como no tempo da sua avó, mas continuava
limpinho.
Após algumas noites mal dormidas,
sonhou com a avó. No sonho vovó Luzia a orientava:
- Minha filha, preste atenção ao que a sua vovó vai dizer pela última vez: Quando você estiver triste, se sentindo mal, não merecedora... Quando você olhar no espelho e duvidar da sua beleza ou de sua capacidade para fazer qualquer coisa, não basta ficar na beira, você precisa lavar seu rosto no rio, sem pressa e verá o que ele tem para te mostrar.
Em seguida, a vovó Luzia se despediu com um grande abraço, viu quando ela mergulhou no rio e em seguida acordou.
No dia seguinte, ela foi até o
rio. Se abaixou, fechou os olhos, estendeu as suas mãos enchendo-as com aquela água
cristalina que se misturou com as suas lágrimas. Deixou cair bastante água em sua cabeça e bem devagar lavou o
rosto.
Quando abriu os olhos, como
um passe de mágica, ela se viu, se reconheceu, viu a beleza, a potencialidade
que a avó falava e nunca mais foi a mesma.
Ela viu que já tinha tudo o que
precisava para construir a sua vida.
Encontre o seu rio.
Qual o rio
que você pode olhar toda vez que não se sentir bem, não se sentir boa o
suficiente?
Procure este rio e lave o seu rosto.
Ana Helena Augusto de Souza
Psicóloga
CRP 05/39678
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