Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???

Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???

Essa foi a última postagem feita pela jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas de 21 anos.

Acho improvável que você não tenha pelo menos ouvido o que aconteceu no último dia 13/06, mas farei um resumo.

A Maria Eduarda que era professora de educação física e amante dos esportes radicais agendou um salto de Rope Jump (salto de pêndulo) que aconteceria na Ponte do Esqueleto (cidade de Limeira - SP). Serviço oferecido pela empresa Entre Cordas.

Ela se preparou para a experiência, mas pelo visto foi só ela. No vídeo que circula na internet, vemos 2 instrutores segurando-a suspensa e em seguida arremessando a jovem que caiu e morreu na hora. Isso porque os bonitos “esqueceram” de se preparar, checando os equipamentos de segurança. 

Segundo informações, ela estava de capacete, cadeirinha e os mosquetões, mas o principal que era a corda ficou no chão, a poucos passos dos pés dos profissionais que a arremessou.

Não foi acidente e assim como todo caso de feminicídio, esse assassinato mexeu com muita gente que nem a conheceu.

Fico me perguntando: quanto poder depositamos em alguém que supostamente sabe mais do que a gente, a ponto de não questionar o que a pessoa faz, por acharmos que é um profissional?

Que fé cega é essa?

Não estou colocando a culpa na vitima.

Será que ninguém olhou para a Maria Eduarda? Será que não tiveram tempo, interesse em olhar para saber como ela estava? Sabe aquele olhar de interesse pelo bem estar da pessoa que foi atribuído somente às mães?

Com a tecnologia e todas distrações que ela nos traz a cada dia, deixamos de olhar nos olhos das pessoas e quando olha é para encontrar defeito. 

A sociedade se tornou deficiente na leitura das pessoas com quem convive. Nos tornamos insensíveis as demandas dos outros. 

Será que ela era mais um número? Um PIX que quanto mais rápido o trabalho fosse executado, mais rápido cairia, favorecendo a entrada de outros?

- Próximo. 

Enquanto a jovem foi erguida, um dos instrutores preparava o próximo cliente para saltar.

Quando a bíblia diz que “maldito o homem que confia no homem”. Também é sobre isso.

Quando vi a cena dos homens levantando a jovem eu pensei na palavra confiança, vulnerabilidade e eles quebraram a confiança de uma jovem que não terá uma segunda chance.

Após o ocorrido, descobriu-se que a empresa que oferecia o serviço era clandestina, mas a Maria Eduarda morreu.

Três instrutores foram detidos, mas a mãe da Maria Eduarda perdeu sua filha.

Até quando nós mulheres confiaremos nos homens?

Enquanto isso, o número de feminicídio tem aumentado assustadoramente. 

Sempre digo que ainda estamos vivendo nos anos 20 quando o papel que espera-se da mulher é o de subordinação e dependência e estou cada dia mais convencida disso.

As mulheres estão morrendo nas mãos das pessoas que elas mais confiam.

Nem sempre um homem, mas sempre um homem.

Ana Helena A Souza 

Psicóloga 05/39678

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